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Pantocrator

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Cristo Pantocrator, o mais antigo ícone conhecido de Cristo, no Mosteiro de Santa Catarina

Pantocrator (em grego: Παντοκράτωρ; romaniz.: Pantokrátor: 'todo-poderoso', 'onipotente', de pan, 'tudo', e kràtein, 'dominar'), na iconografia do cristianismo, refere-se a uma forma de representação de Jesus,[1] que é retratado com a mão direita, em posição de bênção — com o polegar voltado para si, os dedos médio e indicador em posição oblíqua, quase vertical, e os outros dedos dobrados em direção à palma da mão. Essa posição da mão direita, com dois dedos erguidos, indica a sua dupla natureza (divina e humana), enquanto a sua participação na Trindade, como segunda Pessoa, é indicada pelos três dedos unidos nas pontas; na mão esquerda, estão as Sagradas Escrituras.[2][3]

O Cristo Pantocrator encontra-se várias vezes no Novo Testamento em grego.

Significado

A tradução mais comum de Pantocrator é "Todo-Poderoso" ou "Todo-poderoso". Nesse entendimento, Pantocrator é uma palavra composta formada a partir das palavras gregas πᾶς, pas (GEN παντός pantos), ou seja, "tudo" e κράτος, kratos, ou seja, "força", "poder", "poder".  Isso é muitas vezes entendido em termos de poder potencial; ou seja, capacidade de fazer qualquer coisa, onipotência. Cristo pantocrator significa Jesus em sua glória durante sua segunda vinda sentado em seu trono.[2][3]

Outra tradução mais literal é "Governante de Todos" ou, menos literalmente, "Sustentador do Mundo". Nesse entendimento, Pantocrator é uma palavra composta formada do grego para "todos" e o verbo que significa "Realizar algo" ou "sustentar algo" (κρατεῖν, kratein). Essa tradução fala mais do poder real de Deus; ou seja, Deus faz tudo (ao contrário de Deus pode tudo).[2][3]

Arte

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Mosteiro de Santa Catarina, no Monte Sinai, Egito. É a basílica que reside o primeiro ícone do Cristo Pantocrator.

A primeira pintura do Cristo Pantocrator já identificada é o ícone presente no Mosteiro de Santa Catarina, no Sinai, datada do século VI, em que foi usada a técnica da encáustica, ou seja, pintado com ceras coloridas sobre um painel fino de madeira, e cortado na parte superior e nas laterais, dando assim, uma leve descentralização de Jesus Cristo na imagem. A imagem descrita é a apresentada acima. [4]

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Versão do Cristo Pantocrator feita por Theodore Apsevdis, em 1183.

A aparência de Jesus Cristo no ícone do Mosteiro de Santa Catarina provavelmente obteve influências visuais de deuses pagãos, imperadores bizantinos e imagens filosóficas tipificadas. Essa também é a representação artística de Jesus Cristo mais antiga que possui traços semelhantes aos atuais. Elementos como a barba e cabelo de Jesus Cristo possuem enorme chance de terem sido influenciados por características físicas de deuses pagãos ou imperadores e nobres bizantinos ou romanos.[5]

Nos primeiros séculos desde a institucionalização do Cristianismo, as principais cidades cristãs eram Constantinopla e Roma, por isso, em áreas como a arte, a iconografia utilizada pelos cristãos era a romana ou bizantina, o que padronizou um certo estilo fisionômico de Jesus Cristo em diversos países. [6]

O Cristo Pantocrator é marcado por possuir traços assimétricos, a mão direita estar em posição de benção tradicional (IC XC) e, na braço esquerdo, Jesus Cristo estar segurando um livro, geralmente representando a Bíblia. Diferente da iconografia cristã europeia ocidental, a iconografia cristã ortodoxa tem como a representatividade de características simbólicas, que representam a natureza e autoridade de Jesus Cristo como Deus, e não como se ele fosse uma entidade material real. [7]

Referências

  1. Woodhead, Linda (2014). Christianity: A Very Short Introduction (em inglês). Oxford, RU: OUP Oxford. p. 24. ISBN 0191511544 
  2. a b c Latourette, Kenneth Scott, 1975. A History of Christianity, Volume 1, "Beginnings to 1500". Revised edition. (San Francisco: HarperCollins)
  3. a b c Christopher Schonborn, Lothar Kraugh (tr.) 1994. God's Human Face: The Christ Icon. Originally published as Icôn du Christ: Fondements théologiques élaborés entre le Ie et IIe Conciles de Nicée (Friburgo) 19
  4. Hendrix, David. «Ícone de Cristo Pantocrator». The Byzantine Legacy. Consultado em 22 de fevereiro de 2026 
  5. Johnson, Anna (2023). «Christ Pantocrator: God, Emperor, and Philosopher the Byzantine Iconography of Christ». Google Acadêmico. Consultado em 22 de fevereiro de 2026 
  6. Hendrix, David. «Ícone de Cristo Pantocrator». The Byzantine Legacy. Consultado em 22 de fevereiro de 2026 
  7. Gheorghe, Petre (2025). «DIVERSITATE ȘI IDENTITATE CULTURALĂ ÎN EUROPA» (PDF). Google Acadêmico. Consultado em 22 de fevereiro de 2026  line feed character character in |titulo= at position 15 (ajuda)

Bibliografia

  • Latourette, Kenneth Scott, 1975. A History of Christianity, Volume 1, "Beginnings to 1500". Revised edition. (San Francisco: Harper Collins)
  • Christopher Schonborn, Lothar Kraugh (tr.) 1994. God's Human Face: The Christ Icon. Originally published as Icôn du Christ: Fondements théologiques élaborés entre le Ie et IIe Conciles de Nicée (Fribourg) 1976
  • Chatzidakis, Manolis (September 1967). "An Encaustic Icon of Christ at Sinai". Gerry Walters, tr. The Art Bulletin 49.3, pp. 197–208.


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