Framework
Em desenvolvimento de software, o framework é uma estrutura guia com padrões e ferramentas reusáveis para desenvolver programas computacionais de forma rápida;[1][2][3] ou seja, é uma abstração que une códigos fontes comuns em vários projetos de software, provendo assim uma funcionalidade genérica. Um framework pode atingir uma funcionalidade específica, por configuração, durante a programação de uma aplicação. Ao contrário das bibliotecas, é o framework quem dita o fluxo de controle da aplicação, chamado de Inversão de Controle.[4]
Conceito
Um framework ou arcabouço conceitual, é um conjunto de conceitos usado para resolver um problema de um domínio específico. Framework conceitual não é de um software executável, mas sim de um modelo de dados para um domínio. Framework de software compreende de um conjunto de classes implementadas em uma linguagem de programação específica, usadas para auxiliar o desenvolvimento de software.
O framework atua onde há funcionalidades em comum a várias aplicações, porém para isso as aplicações devem ter algo razoavelmente grande em comum para que o mesmo possa ser utilizado em várias aplicações.
Padrões de projeto de software não se confundem com frameworks, pois padrões possuem um nível maior de abstração. Um framework inclui código, diferentemente de um padrão de projeto. Um framework pode ser modelado com vários padrões de projeto, e sempre possuem um domínio de uma aplicação particular, algo que não ocorre nos padrões de projeto de software.
Framework é um conjunto de classes que colaboram para realizar uma responsabilidade para um domínio de um subsistema da aplicação.
— Fayad e Schmidt[4]
Frameworks possuem vantagens, tais como: maior facilidade para a detecção de erros, por serem peças mais concisas de software; concentração na abstração de soluções do problema que estamos tratando; eficiência na resolução dos problemas e otimização de recursos.
Partes
Frozenspots são as partes fixas de um framework, também conhecidos como hook points. São serviços já implementados pelo framework. Normalmente realizam chamadas indiretas aos hotspots.
Hotspots são as partes flexíveis de um framework. São pontos extensíveis, necessitam de complementação por funcionalidades/serviços que devem ser implementados. Hotspots são partes nas quais os programadores que usam o framework adicionam o seu código para especificar uma funcionalidade de sua aplicação. São invocados pelo framework, ou seja, classes (implementadas pelo programador da aplicação) recebem mensagens de uma classe do framework (frozenspot). Isso geralmente é implementado através de herança e de métodos abstratos.
Tipos

Frameworks verticais são confeccionados através da experiência obtida em um determinado contexto específico. Esses são mais comumente chamados de frameworks especialistas. Tentam resolver problemas de um domínio e são usados em vários softwares do mesmo domínio. Exemplos: framework financeiro, recursos humanos.
Após alguns projetos em um domínio específico, serão percebidos pontos semelhantes entre estes projetos; E é com base nesses pontos que será construído o framework vertical (especialista).
Frameworks horizontais não dependem do domínio da aplicação e podem ser usados em diferentes domínios. Exemplos: Interfaces gráficas, persistência, transação.
Orientação a objetos
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Especificamente em orientação a objetos, framework é um conjunto de classes com objetivo de reutilização de arquitetura de software, provendo um guia para uma solução em um domínio específico de software. Framework se diferencia de uma simples biblioteca, pois esta se concentra apenas em oferecer implementação de funcionalidades, sem definir a reutilização de uma solução de arquitetura.
Muitos engenheiros acreditam que a arquitetura é determinada pelos requisitos e por isso esperam que a fase de engenharia de requisitos esteja finalizada para então iniciar sua. Porém, apenas uma fração dos requisitos específicos do sistema têm influência na arquitetura. A identificação dos requisitos que são significantes para a arquitetura pode ser respondida através de um framework conceitual desenvolvido especialmente para um domínio específico, uma vez que esta resposta é muito dependente do domínio. Avançar para a fase de projeto ou mesmo iniciar a implementação do sistema não quer dizer que a definição da arquitetura esteja finalizada. Isto significa que o detalhamento obtido até então já é suficiente para prosseguir com o projeto de uma parte do sistema.
Administração de empresas
Em administração, um framework é uma estrutura conceitual básica que permite o manuseio homogêneo de diferentes objetos de negócio. Serve para incrementar a disciplina de gestão e predefinir entregáveis comuns para cada objeto de negócio.
Pode ser visto também como uma tática bem definida para manipular com destreza ambientes organizacionais complexos. Um framework deve prover sugestões de solução para uma família de problemas semelhantes.
Exemplos de frameworks para gestão: ISO 9000, ISO 14000, OHSAS 18000, ITIL, COBIT, CMM, HACCP, SCRUM.
Diferença entre Framework e Bibliotecas
Frameworks e bibliotecas são estruturas de códigos, desenvolvidos por terceiros, que auxiliam os programadores em tarefas comuns, reduzindo a quantidade de linhas de código necessárias. A principal diferença está no fluxo de trabalho: As bibliotecas são um conjunto de funções, classes, procedimentos que os desenvolvedores chamam em partes específicas do código para executar tarefas comuns, mantendo o controle total; Já nos frameworks ocorre a inversão de controle (IoC) [5], em que o framework dita a estrutura do código e invoca o programador em pontos específicos. [6]
Por exemplo, o jQuery é uma biblioteca que contém funções da linguagem de programação JavaScript; os programadores decidem como contatá-las em partes específicas do código. Vue.js é um framework da linguagem de programação JavaScript, O construtos do Vue é um objeto com determinadas propriedades. Ele nos conta o que ele necessita; nós colocamos o nosso código no Vue. Ele decide quem está no comando. [7]
Em suma, os frameworks controlam o fluxo de trabalho; os programadores seguem suas regras, já as bibliotecas dão liberdade aos programadores decidirem onde usá-las e como aplicá-las. [5]
Frameworks Web Modernos
Frameworks web modernos representam a evolução das estruturas de software para desenvolvimento web, projetadas para criar aplicações dinâmicas, escaláveis e otimizadas para dispositivos móveis, com ênfase em performance mensurável, segurança e integração com tecnologias emergentes como edge computing e inteligência artificial.
Características
Esses frameworks incorporam paradigmas como renderização híbrida (Client-Side Rendering - CSR, Server-Side Rendering - SSR e Static Site Generation - SSG), componentes reativos baseados em Virtual DOM ou compiladores leves, e suporte nativo a TypeScript para tipagem estática. Priorizam métricas do Core Web Vitals (LCP, FID, CLS), hidratação seletiva para reduzir JavaScript no cliente e ferramentas de build otimizadas como Vite ou esbuild. Diferenciam-se por ecossistemas maduros, incluindo roteadores declarativos, gerenciadores de estado (ex.: Zustand, Pinia) e suporte a PWAs (Progressive Web Apps).
Frameworks Frontend
Focam na construção de interfaces de usuário (UI) interativas e responsivas, invertendo o controle para fluxos de dados unidirecionais.
- Vue.js (com Nuxt.js)[8][9]: Progressivo e flexível, com Composition API para lógica reutilizável; Nuxt oferece auto-imports, server plugins e renderização em camadas.
- Svelte/SvelteKit[8][9]: Compila componentes para imperative JS vanilla, eliminando runtime overhead; ideal para apps leves com runes para reatividade fina.
- Angular[8][9]: Full-featured com injeção de dependências, RxJS para streams reativos e Ivy renderer para bundles menores.
Frameworks Backend
Gerenciam lógica de servidor, bancos de dados e APIs (REST/GraphQL/gRPC), com ênfase em autenticação, rate limiting e escalabilidade horizontal.
- NestJS (Node.js): Arquitetura modular inspirada em Angular, com decorators para controllers, services e guards; integra TypeORM/Prisma para ORMs.
- Django (Python): "Batteries included" com admin painel, autenticação OAuth e Django REST Framework para APIs; forte em segurança contra SQL injection e XSS.
- Laravel (PHP): Elegante com Eloquent ORM, queues via Horizon e Sanctum para SPAs; Vapor para deploy serverless na AWS.
- FastAPI (Python)[9]: Assíncrono com Pydantic para validação, auto-geração de docs OpenAPI e performance comparável a Node.js/Go.
Frameworks Full-stack
Integram frontend e backend em um único repositório, simplificando deploys e compartilhamento de lógica.
- Next.js[8][9]: React full-stack com middleware edge, banco via Vercel Postgres e autenticação NextAuth; usado por empresas como Netflix e Hulu.
- Nuxt.js: Vue com Nitro engine para SSR/SSG híbrido, suporte a múltiplos bancos e modules como @nuxt/content para headless CMS.
- Remix: Foco em web standards (fetch API nativa), loaders/actions para mutations e nested routing; otimizado para performance sem abstrações pesadas.
- SvelteKit + adapter-node: Combina leveza do Svelte com server routes e prerendering universal.
Em 2026, esses frameworks evoluíram para suportar IA generativa (ex.: integração com Vercel AI SDK), monorepos com Nx/Turbo e observabilidade via Sentry/New Relic, refletindo demandas por desenvolvimento rápido em equipes distribuídas.
Ver também
Referências
- ↑ «What is a framework? | Definition from TechTarget». WhatIs (em inglês). Consultado em 29 de maio de 2025
- ↑ Lencina, Walter (25 de agosto de 2023). «O que é um framework e para que serve?». Ebac. Consultado em 29 de maio de 2025
- ↑ Carvalho, Carolina (29 de maio de 2025). «Framework: o que é, tipos, exemplos e como escolher». Asimov Academy. Consultado em 29 de maio de 2025
- ↑ a b «O que é um framework?». dsc.ufcg.edu.br (em inglês). Consultado em 30 de novembro de 2015
- ↑ a b «Frameworks e bibliotecas no desenvolvimento de software». Sulivam. 28 de janeiro de 2025. Consultado em 2 de fevereiro de 2026
- ↑ «Qual é a diferença de API, biblioteca e framework?». Stack Overflow em Português. Consultado em 2 de fevereiro de 2026
- ↑ «A diferença entre um framework e uma biblioteca». freeCodeCamp.org. 12 de abril de 2022. Consultado em 2 de fevereiro de 2026
- ↑ a b c d «Frameworks Modernos para Desenvolvimento Web: Como Escolher o Ideal». seja.tec.br. 1 de dezembro de 2025. Consultado em 2 de fevereiro de 2026
- ↑ a b c d e «Crossover». www.crossover.com. Consultado em 2 de fevereiro de 2026